Advertisements
8. Você usa com frequência químicas, tinturas ou alisamentos?
Advertisements
Como Procedimentos Químicos e Calor Afetam os Fios
O cabelo que você vê crescendo para fora do couro cabeludo é tecnicamente tecido morto composto principalmente pela proteína queratina.
Embora seja morto, a estrutura e integridade desse tecido podem ser preservadas ou danificadas dependendo de como você trata seus fios.
Procedimentos químicos e uso excessivo de calor podem comprometer severamente a estrutura do cabelo, levando a quebra e danos que muitas vezes são confundidos com queda.
É importante entender a diferença entre queda verdadeira, onde o fio cai da raiz junto com o bulbo, e quebra, onde o fio parte ao longo do comprimento.
Ambas resultam em menos cabelo na cabeça, mas as causas e tratamentos são diferentes.
A estrutura do fio de cabelo é complexa, com três camadas principais.
A camada mais externa se chama cutícula, e é formada por células sobrepostas como escamas de peixe ou telhas de um telhado.
Quando a cutícula está intacta e as escamas ficam bem fechadas, o cabelo reflete luz, parece brilhante e liso, e está protegido.
A camada do meio se chama córtex, e contém a maior parte da proteína queratina, além dos pigmentos que dão cor ao cabelo.
O córtex é responsável pela força, elasticidade e cor do fio.
A camada mais interna se chama medula, presente principalmente em fios grossos, e sua função ainda não é completamente compreendida.
Procedimentos químicos funcionam alterando a estrutura proteica do cabelo para mudar sua forma, textura ou cor.
Alisamentos e relaxamentos quebram as pontes de dissulfeto, que são ligações químicas que mantêm as proteínas do córtex em determinada configuração.
Ao quebrar essas pontes e reformá-las em nova posição, o cabelo é permanentemente alisado.
Permanentes fazem o oposto, quebrando as pontes e reformando-as de forma a criar cachos.
Colorações e descolorações trabalham de maneira diferente mas igualmente agressiva.
Para tingir o cabelo, especialmente para cores mais claras que a natural, os produtos precisam abrir a cutícula, penetrar no córtex, remover o pigmento natural e depositar novo pigmento.
Descolorações usam agentes oxidantes poderosos como peróxido de hidrogênio para quebrar as moléculas de melanina que dão cor ao cabelo.
Esse processo é extremamente danoso à estrutura proteica.
Todos esses procedimentos químicos causam danos cumulativos e irreversíveis à estrutura do fio.
A cutícula fica levantada e danificada, deixando o córtex exposto e vulnerável.
Os fios perdem proteínas, ficam porosos, perdem elasticidade e ficam frágeis.
Cabelos quimicamente tratados são muito mais propensos a quebrar, especialmente quando molhados e mais vulneráveis.
Quando feitos regularmente sem tempo adequado de recuperação entre procedimentos, os danos se acumulam.
Fazer alisamento e coloração no mesmo período, ou fazer retoques com frequência muito alta, pode levar a quebra severa.
Nos casos mais graves, o cabelo pode quebrar tão próximo à raiz que parece queda, mas é na verdade quebra extrema.
Além da quebra dos fios, produtos químicos muito fortes aplicados inadequadamente podem causar queimaduras químicas no couro cabeludo.
Essas queimaduras podem danificar os folículos capilares na superfície da pele.
Se o dano for severo e repetido, pode até causar alopecia cicatricial, onde os folículos são destruídos permanentemente e substituídos por tecido cicatricial.
Isso resulta em perda permanente de cabelo naquelas áreas afetadas.
Relaxamentos muito fortes, especialmente quando deixados no cabelo por tempo excessivo ou aplicados sobre cabelo já previamente tratado, são particularmente arriscados.
O uso de calor através de ferramentas como chapinha e secador funciona de maneira diferente mas também pode ser muito danoso.
O cabelo contém água naturalmente, e essa umidade ajuda a manter a flexibilidade e elasticidade dos fios.
Quando você aplica calor muito alto, a água dentro do fio ferve literalmente, criando pequenas bolhas de vapor dentro da estrutura do cabelo.
Essas bolhas podem romper a cutícula e criar espaços vazios dentro do córtex, enfraquecendo estruturalmente o fio.
Temperaturas acima de 180 graus Celsius começam a degradar as proteínas de queratina.
Muitas chapinhas atingem facilmente 200, 220 ou até 230 graus, especialmente quando usadas no máximo.
Passar chapinha diariamente nessas temperaturas causa danos térmicos cumulativos significativos.
Secadores no calor muito alto, especialmente quando segurados muito próximos dos fios, também causam danos térmicos.
O problema se agrava quando o calor é aplicado sobre cabelo molhado, que é quando os fios estão mais vulneráveis.
O cabelo molhado está em estado temporariamente mais fraco porque as ligações de hidrogênio que ajudam a manter a estrutura estão temporariamente quebradas.
Aplicar calor alto sobre cabelo molhado ou úmido maximiza o dano.
É importante diferenciar aqui: o uso ocasional e cuidadoso de ferramentas de calor, com protetor térmico e temperatura adequada, não causa danos irreparáveis.
O problema é o uso diário ou muito frequente, sem proteção, em temperaturas excessivamente altas.
Usar protetor térmico cria uma barreira que ajuda a distribuir o calor mais uniformemente e protege parcialmente a cutícula.
Usar temperaturas mais baixas, mesmo que demore um pouco mais, preserva a integridade dos fios.
Deixar o cabelo secar naturalmente sempre que possível dá um descanso aos fios.
Pessoas que fazem procedimentos químicos regularmente e também usam calor diariamente estão submetendo o cabelo a uma tempestade perfeita de danos.
Cabelo alisado quimicamente que também é chapinhado diariamente, ou cabelo descolorido que também é secado no calor máximo todo dia, sofre dano extremo.
Nesses casos, quebra severa é quase inevitável, e pode dar a impressão de queda massiva.
Outro tipo de dano relacionado mas distinto é a alopecia por tração.
Isso acontece quando o cabelo é puxado repetidamente com força, causando estresse mecânico nos folículos.
Penteados muito apertados como tranças muito puxadas, coques muito firmes, rabos de cavalo muito tensos, ou uso de apliques pesados que puxam o cabelo podem causar isso.
O estresse constante nos folículos pode danificá-los permanentemente, especialmente na linha frontal e nas têmporas onde a pele é mais fina.
Esse tipo de alopecia é mais comum em pessoas que usam esses penteados diariamente durante anos.
Inicialmente a queda é reversível se o estresse for removido, mas se continuar por tempo prolongado, pode se tornar permanente.
Agora, se você mantém o cabelo natural sem químicas e sem uso frequente de calor, está evitando uma fonte importante de danos.
Cabelos naturais ainda podem quebrar por outras razões, como pentear muito agressivamente, usar elásticos muito apertados, ou falta de hidratação.
Mas no geral, cabelo natural tende a manter melhor sua integridade estrutural.
É possível fazer procedimentos químicos de forma mais segura respeitando certos princípios.
Espaçar adequadamente os procedimentos, dando tempo para o cabelo se recuperar entre aplicações.
Fazer apenas um tipo de química por vez, evitando sobrepor alisamento e coloração, por exemplo.
Procurar profissionais qualificados que usem produtos de qualidade e técnicas adequadas.
Investir pesado em tratamentos de reconstrução e hidratação para minimizar os danos.
Proteger o cabelo do calor quando usar ferramentas térmicas.
Mas é importante ter expectativas realistas: cabelo quimicamente tratado nunca será tão forte quanto cabelo virgem.
Se você está tendo queda ou quebra e faz procedimentos químicos regulares ou usa calor diariamente, considere dar um tempo para o cabelo se recuperar.
Às vezes um período de transição deixando o cabelo natural ou reduzindo drasticamente os tratamentos permite que você veja quanto era dano e quanto é queda verdadeira.






